A vida clama dentro de nós, querendo eclodir,
o futuro e o presente ao mesmo tempo.
Quem somos?
A junção disso tudo e nada ao mesmo tempo.
Um dia seremos o que queremos? A duvida é a vida, é o viver
Quantas vidas nos consomem Neste breve palco do ser?
Não se conta em anos ou nomes, Mas em vezes que precisamos morrer.
O Eu que ontem era verdade Já é a sombra que se esvai. Somos a contabilidade da idade, Um ciclo que sempre refaz.
A cada mudança, um novo fôlego, Um corpo estranho a habitar. Se o ciclo rompe o nosso monólogo, É tempo de o outro nos guiar.
O afeto perdido, o projeto que desaba, O silêncio que exige a mutação, Não são fins, mas a pausa que se elabora, O recolhimento antes da eclosão.
A nova vida pulsa e se prepara, Aquela que ainda não aceitamos ser. A cada renúncia, a nossa alma se aclara, Para de novo, enfim, florescer.
Não contamos em décadas, mas em metamorfoses. A descoberta final não está em quem somos, Mas na coragem de aceitar que o Infinito cabe Na dança de sermos todos os nossos escombros.