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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Escombros

 A vida clama dentro de nós, querendo eclodir, 

o futuro e o presente ao mesmo tempo. 

Quem somos? 

A junção disso tudo e nada ao mesmo tempo. 

Um dia seremos o que queremos? A duvida é a vida, é o viver

Quantas vidas nos consomem Neste breve palco do ser?

 Não se conta em anos ou nomes, Mas em vezes que precisamos morrer.

O Eu que ontem era verdade Já é a sombra que se esvai. Somos a contabilidade da idade, Um ciclo que sempre refaz.

A cada mudança, um novo fôlego, Um corpo estranho a habitar. Se o ciclo rompe o nosso monólogo, É tempo de o outro nos guiar.

O afeto perdido, o projeto que desaba, O silêncio que exige a mutação, Não são fins, mas a pausa que se elabora, O recolhimento antes da eclosão.

A nova vida pulsa e se prepara, Aquela que ainda não aceitamos ser. A cada renúncia, a nossa alma se aclara, Para de novo, enfim, florescer.

Não contamos em décadas, mas em metamorfoses. A descoberta final não está em quem somos, Mas na coragem de aceitar que o Infinito cabe Na dança de sermos todos os nossos escombros.

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