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sábado, 2 de fevereiro de 2019

(In)verso



E quantos versos calados, deixamos?
Quantas noites mal dormidas?
E vidas mal vividas?
Memórias vívidas
Dúvidas, divididas

Estamos mudos
Mas não por falta do que falar

E quantos versos inauditos?
Mal ditos
Pensados e passados
Sob este mesmo astro
Sob este luar
Sob essas noites de calor e frio n'alma

Estamos mudos
Mas não por falta do que falar

A tristeza engole a alma
Que nem remédio consegue amenizar

Estamos mudos
Mas não por falta do que falar

(Erison S. Lima)

Manaus, fevereiro de 2019

sábado, 26 de janeiro de 2019

“O Rio? É doce. A Vale? Amarga." - Carlos Drummond em 1984.

Em 1984, Carlos Drummond de Andrade publicou no jornal Cometa Itabirano o poema “Lira Itabira”. O poema é uma denúncia, que, passados todos estes anos, ainda permanece atual. Carlos Drummond já imaginava o conflito entre a mineradora e a vida do Rio Doce.

“O Rio? É doce. 
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.
Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!
A dívida interna
A dívida externa
A dívida eterna
Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

AOS RESISTENTES


AOS RESISTENTES

A gente resistiu aos planos que não deram certo, confiando em dias melhores.

A gente resistiu aos problemas que nos alcançaram, com esforço e dedicação.

A gente resistiu à saudade dos que se foram, acreditando que eles permanecem conosco, de alguma forma, aqui dentro.

A gente resistiu aos planos armados contra nós, e às caras fechadas, cheias de maldade.

A gente resistiu ao preconceito, com respeito.

A gente resistiu à quem queria fazer de nós o que não somos e mudar nossos sonhos.

A gente resistiu à quem dizia que não queríamos nada, que não participamos de nada, que não eramos nada.

A gente resistiu aos nossos próprios medos. E aos nossos demônios, pensamentos de derrota.

A gente resistiu à mágoa e ao rancor.

A gente resistiu ao vento, ao calor, à chuva, que nos molhou naquele  último dia, batizando a nossa coragem.

Resistimos à tudo. Menos ao AMOR.

O AMOR, que fortalece nossa confiança;
Força sobrenatural, que aproxima os distantes;

que coroa nossa persistência;

que muda as caras fechadas;

que deixa sem argumentos aqueles que nos rejeitam;

que supera nossos pré-conceitos;

que fortalece nossos sonhos;

Amor que nos dá autoconfiança;
Amor que vence o ódio;

O Amor nos trouxe aqui e nos fez fortes.

Até que, num dia 12 do mês 12 de um certo ano 2014;
Nossos amor nos transformou numa avalanche.

E nas águas daquela piscina, desceram meninos, subiram homens; desceram meninas, subiram mulheres.

Resistentes.

PARABÉNS 3º1, inesquecível.

Lembranças, poema para Maria e Sophia


Logo cada detalhe e cada lembrança serão preciosos,
como memórias vivas que mantemos dentro de nós;
Cada brinquedo jogado pelo chão;
Cada roupa no lugar errado;
Cada enrolação na hora do banho;
Cada pergunta incomoda, na hora “certa”;
Cada pedido, cada desenho, cada sorriso e choro sem sentido;
Cada chamada por atenção, cada gesto de amor, cada castigo.
Todas as vezes que olharmos para dentro procurando na memória as lembranças destes tempos, saberemos que nossa existência teve um sentido;
Que tudo teve um porquê;
Porque elas estiveram aqui,
E desde o dia em que chegaram,
mudaram tudo e nunca mais saíram do nosso coração.
Lembranças...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Jovem de periferia se forma e dá depoimento emocionante: "Não foi celebração da meritocracia, mas da oportunidade."


Hoje não foi uma celebração da "meritocracia". Hoje foi uma celebração da oportunidade! 
Oportunidade de estar numa universidade pública, tendo participado de projetos, experiências, trilhas, saberes diversos, conversas de auditório e de boteco. Oportunidade de vivenciar coisas que eu de longe me imaginaria, no auge dos 20 anos vivendo. De estudar coisas que eu adoro, coisas que eu ainda pouco entendo, de trabalhar com causas que eu acredito! 
Oportunidade de jovens, como eu, que saem de suas quebradas pela zona leste, buscando coisas que a gente nem sabe mesmo o que são, mas que quando vem, numa aula, numa frase, numa linha, tomam o espírito de um jeito. De um jeito que quem já sentiu, sabe como é!
Oportunidade de compartilhar esses anos com pessoas incríveis, com pessoas fáceis, pessoas difíceis, com pessoas. Parece que tudo toma o seu lugar quando se olha de fora. Cada peça está onde deveria estar até aqui, neste momento.
Oportunidade de formar saberes, curiosidades, angústias, perguntas, formamos a nós e o ao mundo dentro e fora de nossas cabeças.
Oportunidade que todo moleque, dentro e fora da periferia deveria ter.
Nós tivemos.
Foi através dela que eu e muitos dos meus colegas e amigos, hoje licenciados e bacharéis, mostraram uns aos outros coisas novas. Novas oportunidades.
Este não é um discurso sobre meritocracia. É um breve discurso sobre oportunidade!


Texto de Kamila Craveira, publicado originalmente em 
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1967485760034493&set=a.116290771820677&type=3&theater

quinta-feira, 8 de novembro de 2018



A teoria do Apocalipse.
(O Poema)
Em meio à esse fim
As pessoas amavam e lutavam
Desistiam e recaiam
Viviam e sentiam o amor ou ódio

Mas para quê tanto caos?
São coisas que nem o maior dos gênios da Terra poderia saber

Depois de tudo ter sido criado
Com muito amor
Tudo foi jogado no lixo
Como se não fizesse diferença
Somos pecadores, e quando nós erramos
Não podemos mais voltar atrás
A história da nossa existência já estava destruída
Porque tanto ódio depois de tanto amor?

Mas num piscar de olhos
Quando percebemos,
tudo já havia acabado
A esperança já não era a mesma
As coisas já não eram as mesmas

E no final muitas pessoas queriam viver

O Mundo era assim mesmo
Cada um com seu cada qual
Vivia-se assim mesmo, em meio ao caos

Ter que saber lidar com as diferenças
Afinal quem de nós somos ou já fomos iguais?
O cotidiano era algo inexplicável

A história de nem se quer uma vida,
Tinha mais existência
Felicidade ou tristeza
Os demônios de que nós somos feitos foi o suficiente
E assim acabou-se quase tudo

Não acabou tudo porque sabíamos
Que ali algo ainda existia
Para quê desistimos
Se o impossível
nem se quer já foi “Cumprido” ou “provado”!?

quinta-feira, 12 de julho de 2018

O intolerante



O intolerante precisa eleger inimigos, 
pois é através da concorrência que tenta provar para si e para outros que é superior. 

O intolerante sente-se ameaçado pelo que é diferente. 
Tem medo, por isso instiga, grita, provoca, até conseguir atingir primeiro quem elegeu como adversário.

O intolerante pode ser desumano e violento para tentar provar que está certo, não reconhece seus erros na mesma proporção com que os comete.

O intolerante espalha o medo para manter pessoas cativas ao seus mandos.

O intolerante não sabe liderar, como um animal ele caça, e pode atacar até seus aliados mais próximos para conseguir o que quer.

O intolerante se acha superior, mas é inferior em sua essência. 
Ele não valoriza a vida, nem a sua nem a alheia. 

O intolerante se alimenta de ódio, mas é faminto de amor. 
Ele não sabe o que é paz, nem o que é felicidade. 

O intolerante se isola em sua ilusão, mas é carente de sentido. 
Ele não encontra a sua luz, nem a sua verdade. 

O intolerante é um ser doente, que precisa de cura e libertação. 
Ele não conhece a si mesmo, nem ao seu Criador.

(Erison S. Lima)

Escombros

  A vida clama dentro de nós, querendo eclodir,  o futuro e o presente ao mesmo tempo.  Quem somos?  A junção disso tudo e nada ao mesmo tem...